Dobradinha da Dona Dida

Dobradinha Erika Horst

Outro dia o Eduardo cismou de que queria comer Dobradinha. Depois dizem que quem tem desejo esquisito é mulher grávida… Mas tudo o que meu marido pede, se possível, eu faço. Pensei que ia ser uma trabalheira; teria que preparar outra opção de prato, porque eu nunca tinha comido Dobradinha e não tinha a intenção de comer. Nunca fui com a cara dela, afinal…

Perguntei à minha mãe se ela sabia a receita e ela disse que a melhor Dobradinha que já havia comido era a da minha tia Dida, de Recife. Como TUDO o que a tia Dida faz é muito bom, pedi a receita.

A receita chegou, mas eu estava de corpo mole. Chato ter que cozinhar algo que não se vai comer… Mas minha mãe comprou os ingredientes rapidinho, pois queria que o Eduardo saciasse seu desejo o quanto antes. Ela é o contra fazer marido (ou genro) esperar. Então ela largou tudo na minha mão, foi tomar sol e pediu pra chamá-la quando a Dobradinha estivesse pronta.

Gente, a coisa foi ficando bonita e cheirosa. Abandonei a idéia de comer outra coisa. Minha boca já estava aguada na metade do processo. Ficou uma delícia!!!

O Eduardo e a minha mãe, que já conheciam a iguaria, mataram a saudade. Gostaram muito. Eu, meu pai, meu irmão Frederico e minha sobrinha Camila de 9 anos nunca havíamos comido Dobradinha antes e não estávamos muito animados. Que grata surpresa! Comemos muito! Ainda bem que hoje é feriado (Dia do Servidor Público)! Deu pra tirar aquele cochilo depois da comilança.

Obrigada, Dona Dida! Está aprovadíssima a sua Dobradinha!

DOBRADINHA DA DONA DIDA

Ingredientes:
1 kg de bucho de boi/vaca
500 g de feijão branco
200 g de charque dianteiro (coloque o charque de molho para
dessalgar no dia anterior, trocando a água várias vezes)
200 g de lingüiça calabresa
150 g de bacon
2 tomates picados
1 pimentão
1 ceboba grande picada em quadradinhos
5 dentes de alho picadinhos
1 molho de coentro picadinho
Vinagre
Limão
Sal e pimenta

1ª Etapa: Tirar o cheiro forte do bucho (é um horror aquele cheiro)
Lave bem o bucho com limão. Enxague.
Corte em cubos pequenos (3×3 cm, aproximadamente) e leve ao  fogo com água e suco de 01 limão. Deixe ferver por 02 min. Jogue a água fora, lave a panela e repita o procedimento mais duas vezes. Na segunda e terceira fervura, não é necessário colocar limão.

Curiosidade: Em Unaí-MG, terra da Elizete, minha secretária, eles costumam colocar folhas de goiabeira na água da fervura. Como temos uma goiabeira aqui ao lado, coloquei.
Mas a D. Dida, minha tia de Recife que me passou essa receita diz que só com as três fervuras o cheiro sai.

2ª Etapa: Cozinhar o bucho
Escorra a água da última fervura e tempere o bucho com vinagre ou limão, pimenta e sal (bem pouco).
Lembre-se de que o charque, o bacon e a calabresa já tem sal. Deixe para adicionar mais sal ao final, se necessário.
Leve ao fogo em panela de pressão por 20 minutos.

3ª Etapa: Preparar as carnes
Corte o bacon, a linguiça e o charque em pedaços pequenos.
Em uma panela com 03 colheres de sopa de óleo, frite primeiro o bacon. Ele deverá soltar bastante óleo. Quando já estiver bem  coradinho, acrescente o charque e a calabresa. Frite. Acrescente o alho picado (sem sal), mexa; acrescente a cebola. Frite até a cebola ficar coradinha (bem dourada).
Escorra o óleo e reserve.

4ª Etapa: Cozinhar o feijão
Desligue o fogo da panela de pressão e tire a pressão  imediatamente.
O bucho já deverá estar cozido.
Junte ao bucho, o tomate, o pimentão, o coentro e o feijão.
A água deve cobrir tudo.
Quando pegar pressão, marque 15 minutos.
Desligue o fogo e tire a pressão imediatamente.
Misture o feijão. Os de cima estarão mais duros. Acrescente as carnes. Mexa e coloque na pressão novamente. Lembre-se de que a água deve cobrir tudo.
Marque mais 10 minutos. Verifique o cozimento do feijão. Acerte o sal.

5ª Etapa: Engrossar o caldo e comer!!!
Acrescente 1 pires de cebolinha picada e deixe ferver um pouco com a panela destampada para engrossar o caldo.
Na receita da D. Dida não tem cebolinha. É coisa de goiano. Mas fica bom. Se não quiser colocar, não vai interferir em nada.
Sirva bem quente com arroz branco e farinha. Deixe à mão pimenta  malagueta.

Prepare-se para suar!!!


 

Receita de Edir Horst, a Dona Dida

Serve 10 pessoas

 



 

14 comentários sobre “Dobradinha da Dona Dida

  1. Deu até água na boca. hummmmmmmm!!! Aqui em casa é o inverso, só eu gosto, portanto nunca fiz. Mas vou criar coragem e aproveitar esta receita e arriscar fazer para mim. Quem sabe assim também terei a grata surpresa de outras boquinhas comerem também.

    • Se você gosta, não vai se arrepender! Até a Camila, que chegou aqui fazendo careta (por causa da opinião da mãe, que nem veio) comeu e teve que dar o braço a torcer… repetiu! Depois me conta! Beijo!

  2. Oi miga,
    Ficou mesmo linda a sua obra, mas eu realmente, comeria com muito gosto o feijão branco – que eu adoro – e a linguicinha já a dobradinha eu substituiria no mesmo prato por uma boa costelinha suína e me acabava. Já provei dobradinha de várias pessoas (inclusive do tio Carlos pai da Valéria, e era bem parecida com a sua, comi só o feijão e a linguiça), nunca gostei mesmo. Mas, parabéns! você está uma mocinha muito prendada.

  3. Nunca comi uma buchada igual a da receita, mas fiz uma buchada com pé de porco, na verdade fiz um BUCHO PÉ, ficou de lamber os beiços, meu marido ficou satisfeito, tanto que pediu pra fazer novamente na próxima semana! rs

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